Força paulista: primeiro título da Seleção Brasileira completa 101 anos

Os 12 gols da campanha foram anotados por atletas do futebol paulista; oito dos 11 titulares da final eram de São Paulo

por Federação Paulista (FPF)

São Paulo, SP, 29 (AFI) - O primeiro título a gente nunca esquece, não é mesmo? Há exatos 101 anos, o futebol paulista era fundamental para a conquista da primeira taça da Seleção Brasileira: o Sul-Americano de 1919. Com grandes nomes locais como Friedenreich, Neco, Heitor, Amílcar e Millon, o Brasil ficava de forma inédita no lugar mais alto do pódio.

CONTEXTO!
Na época, a potência sul-americana era o Uruguai, campeão das edições de 1916 e 1917 diante da Argentina. O Brasil havia terminado a sua participação com o terceiro lugar nos dois anos de disputa, seguido de Chile.

O primeiro a gente nunca esquece. (Foto:  Arquivo Nacional)
O primeiro a gente nunca esquece. (Foto: Arquivo Nacional)
Sem competição em 1918, o Brasil foi palco da edição de 1919, sendo o primeiro grande evento esportivo do país. Para tal, foi construído o estádio das Laranjeiras, o primeiro de concreto do país, com capacidade para 25 mil espectadores, o maior da América Latina àquela altura.

FORÇA PAULISTA!
Ainda com uniforme de cor branca com detalhes em azul -o amarelo só seria adotado após a Copa do Mundo de 1950- o elenco convocado para representar o Brasil era formado em sua grande maioria por atletas oriundos do futebol paulista. Ao todo, dos 21 selecionados, 12 atuavam em solo paulista.

Para se ter uma ideia da importância do futebol de São Paulo naquela seleção, todos os 12 gols brasileiros na campanha foram anotados por atletas que representavam times paulistas, sendo que Friedenreich (Paulistano) e Neco (Corinthians) foram os principais goleadores do certame com quatro tentos cada.

CAMPANHA!
O Brasil estreou com goleada, por 6 a 0, diante do Chile, com três gols de Friendreich, ídolo do Paulista, dois de Neco, referência do Corinthians, e outro Haroldo, jogador do Santos. No segundo compromisso, diante da Argentina, o escrete nacional contou com gols de Heitor, maior artilheiro da história do Palmeiras, Amílcar, outro ídolo do Corinthians, e Millon, do Santos, para superar os Hermanos da Argentina por 3 a 1.

Título suado. (Foto: Arquivo Nacional)
Título suado. (Foto: Arquivo Nacional)
Com duas vitórias, o Brasil enfrentou o Uruguai no terceiro jogo com a possibilidade de título em caso de vitória. O empate, por 2 a 2, diante dos bicampeões sul-americanos foi conquistado graças a Neco.

Após estar perdendo por dois tentos, o atacante corintiano marcou duas vezes, fazendo com que os países se enfrentassem em jogo-desempate para ver quem seria o campeão daquela edição.

JOGO DO TÍTULO!
No dia 29 de maio de 1919, Brasil e Uruguai entraram em campo no estádio das Laranjeiras com mais de 25 mil espectadores para definir o campeão do Sul-Americano daquela temporada. Além de encarar o bicampeão, o time brasileiro ainda enfrentava o tabu de três jogos sem vitória diante dos uruguaios.

Quando a bola rolou, o tempo regulamentar terminou empatado sem gols, levando o confronto para a prorrogação. Como ainda não havia disputa por pênaltis naquele período, foi necessário a realização de mais um tempo.

PRORROGAÇÃO!
Na segunda prorrogação, uma trama envolvendo jogadores paulistas decretou o título ao Brasil. Neco fez jogada individual pela direita, invadiu a área e cruzou para Heitor. O atacante palestrino chutou, mas parou no goleiro Saporiti.

Ligado no lance, Friedenreich se aproveitou do rebote e marcou o gol do primeiro título brasileiro, tornando-se um ídolo nacional. Após o confronto, o jogador do Paulistano recebeu o apelido de “El Tigre” por parte da imprensa uruguaia.

Do time que enfrentou o Uruguai na decisão, oito dos 11 atletas defendiam clubes paulistas: Bianco (Palestra Itália, atual Palmeiras); Sérgio Pires (Paulistano-SP); Amílcar (Corinthians); Millon (Santos); Neco (Corinthians); Friedenreich (Paulistano); Heitor (Palestra Itália) e Arnaldo (Santos). O título inédito embalou a criação do samba “1 x 0”, de Pixinguinha. Foi também a primeira vez que o futebol serviu como ferramenta para unir todas as camadas sociais.

FICHA TÉCNICA
Brasil 0 (1) x 0 (0) Uruguai
Competição: Campeonato Sul-Americano;
Local: estádio das Laranjeiras, Rio de Janeiro (RJ);
Data: 29 de maio de 1919;
Público: 27.500 espectadores;
Árbitro: Juan Barbera (ARG);
Assistentes: Ernesto Matozzi (ARG) e Armindo Castagnola (ARG);
Gol: Friedenreich, aos 122.

Brasil: Marcos de Mendonça e Píndaro, Bianco; Sérgio Pires, Amílcar e Fortes; Millon, Neco, Friedenreich, Heitor e Arnaldo. Comissão Técnica: Arnaldo da Silveira (capitão), Amílcar, Mário Pollo, Affonso de Castro e Ferreira Vianna Netto.

Uruguai: Cayetano Saporiti; Manuel Varela e Alfredo Foglino; Rogelio Naguil, Alfredo Zibechi e José Vanzzino; José Pérez, Héctor Scarone, Angel Romano, Isabelino Gradín e Rodolfo Marán. Treinador: Severino Castillo.

Por Luiz Minici