ESPECIAL COPA SP: Após título tricolor, jovens vingam rápido e geram expectativa

Tradicional torneio de juniores rendeu bons frutos aos clubes que souberam lapidar talentos

por Agência Futebol Interior

Campinas, SP, 28 (AFI) - Com uma seleção brasileira cheia de rostos conhecidos, já desgastados por tantas frustrações nos últimos anos, os torcedores estão cada vez mais ligados nas categorias de base, na esperança de encontrar em um garoto o renascimento da alegria perdida do futebol verde-amarelo. A 50ª edição da Copa São Paulo de Futebol Júnior, disputada em janeiro de 2019 e conquistada pelo São Paulo, trouxe a público alguns nomes que despertaram a animação da nação.

A lapidação da base foi valorizada e alguns times souberam fazer bom proveito de seus jovens jogadores, muitos já distantes do status de promessa, com cobrança de gente grande. Em outros casos, esses geralmente classificados como inevitáveis pelos dirigentes, a Copinha serviu apenas como vitrine para concretizar o sonho europeu do moleque jogador moderno, sem maior resistência dos clubes, que agradecem cada euro depositado na conta-corrente.

Seja como for, a Copa São Paulo é o torneio de base com maior visibilidade no país e, por isso, tem função vital no processo de formação das promessas brasileiras. Democrático, dentro das possibilidades, o torneio envolve 128 clubes e pode render boas oportunidades para garotos ‘escondidos’ em times menores.

TRICOLOR CAMPEÃO
A final da 50ª edição da Copinha foi disputada por São Paulo e Vasco, dois times que costumam revelar talentos de valor. O encontro reeditou a final de 1992, quando os vascaínos levaram a melhor com vitória por 5 a 3 nos pênaltis,depois de empate por 1 a 1 no tempo normal.

No reencontro, após 27 anos, o tempo regulamentar terminou com o placar marcando 2 a 2, graças a um gol cruzmaltino aos 38 do segundo tempo, marcado por Tiago Reis. Na sequência, os são-paulinos venceram por 3 a 1 nas penalidades. Foi o quarto título tricolor em 11 finais. Autores dos gols do São Paulo na decisão, os atacante Antony e Gabriel Novaes foram protagonistas durante toda a disputa da Copa SP.

São Paulo venceu a Copa SP pela quarta vez. (Rubens Chiri / saopaulofc.net)
São Paulo venceu a Copa SP pela quarta vez. (Rubens Chiri / saopaulofc.net)

QUAL O MELHOR CAMINHO?
Artilheiro do torneio, com dez gols, Gabriel foi emprestado oficialmente ao Barcelona B quatro dias depois do título, tradicionalmente disputado no dia do aniversário da capital paulista, em 25 de janeiro. A trajetória na Europa, no entanto, escapou das expectativas, e o jogador foi repassado ao Córdoba, time da terceira divisão espanhola, com a possibilidade de voltar ao São Paulo em janeiro de 2020.

Em contraponto ao que pode ser classificado como uma experiência europeia precipitada para Gabriel Noves, Antony ficou no Tricolor e ganhou espaço no time titular, mas já passou a ser cobrado como os veteranos e teve que lidar com a ira da impaciente torcida frustrada pela falta de títulos – nos últimos 11 anos, a única taça levantada foi a da Copa Sul-Americana, em 2012.

O PERSONAGEM
Antes integrado ao elenco profissional e chamado em cima da hora em razão da convocação de companheiros para a seleção, Antony foi um dos grandes personagens da Copa São Paulo, e não só por causa do futebol apresentado. Chamou a atenção de todos a relação entre o atacante e a pequena Larissa, torcedora de seis anos que luta contra um tumor no cérebro e virou uma espécie de amuleto do time.

Os dois se conheceram na partida contra o Mirassol, quando o jogador entrou com a menina em campo, prometeu um gol a ela e cumpriu o trato, se emocionando após balançar as redes. O laço entre os dois se fortaleceu conforme o São Paulo foi avançado, tanto que todo o time raspou o cabelo antes de grande final para homenagear Larissa.

Antony mostrou sensibilidade em relação com a pequena Larissa. (Rubens Chiri / saopaulofc.net)
Antony mostrou sensibilidade em relação com a pequena Larissa. (Rubens Chiri / saopaulofc.net)

A figura de Antony se engrandeceu pelo gesto de compaixão e pelo futebol apresentado. As primeiras atuações dele no profissional empolgaram a torcida, mas o desgaste com as eliminações e resultados ruins no Brasileirão fez os tricolores perderem a paciência com todo o time.

Geralmente, os torcedores poupam jogadores recém-saídos da base na hora das cobranças, mas Antony chegou a ser nominalmente citado em protesto no Morumbi, após derrota para o Goiás, no final de setembro. Apesar disso, o jovem segue valorizado internamente. Observado de perto pelo Barcelona, ele tem contrato até 2024 e multa rescisória de 50 milhões de euros.

COPINHA É COPINHA
Do lado vice-campeão Vasco, também houve bom aproveitamento de jovens das categorias de base. Apesar disso, Lucas Santos, o grande destaque da Copinha, não teve tempo de dar alegria aos vascaínos atuando no time profissional. Após o fim do torneio, ele jogou algumas partidas no Carioca, mas foi mais utilizado no time sub-20. Em agosto, foi emprestado ao CSKA, com opção de compra.

Autor do gol que levou a decisão do título aos pênaltis, Tiago Reis foi um dos nomes integrados ao elenco profissional, ainda que não tenha conseguido se firmar. Titular na Copinha, com nove gols marcados, ele marcou cinco gols em 19 partidas como profissional, oito delas como titular.

Talles se adaptou rápido ao time profissional do Vasco. (Foto: Rafael Ribeiro / Vasco)
Talles se adaptou rápido ao time profissional do Vasco. (Foto: Rafael Ribeiro / Vasco)

O CARA
Já Talles Magno, o melhor fruto colhido da base vascaína na atual temporada, foi reserva na maioria dos jogos durante o torneio de juniores, apesar de não ter entrado em apenas um, e começou jogando só duas vezes. Aos 17 anos, o jovem ganhou espaço com a chegada de Vanderlei Luxemburgo e respondeu com grandes atuações que ajudaram o Vasco a reagir no Brasileirão.

Convocado como grande estrela da seleção sub-17 na reta final da competição nacional, Talles fez bastante falta ao cruzmaltino e acabou se lesionando, perdendo o restante da temporada. O otimismo depositado sobre o garoto é grande, mas deve ser um desafio para o desequilibrado Vasco segurara joia diante do interesse de clubes europeus.

SUCESSO
Não foram apenas os finalistas que aproveitaram bons valores da Copinha.Times menores, mesmo aqueles que não chegaram tão longe, mostraram qualidade na base. Um caso bastante específico é o do atacante Gabriel Martinelli, do Ituano. Apesar de o time ter sido eliminado ainda na segunda fase, ao perder nos pênaltis para o Red Bull Brasil, o garoto se destacou marcando seis gols em quatro jogos.

Expectativa é alta em cima de Martinelli. (Foto: Divulgação / Arsenal)
Expectativa é alta em cima de Martinelli. (Foto: Divulgação / Arsenal)

Após a eliminação no torneio de juniores, Martinelli foi integrado ao time principal e se tornou o grande destaque da equipe durante a disputa do Paulistão, com boas atuações e seis gols em jogos. No meio de junho, o garoto foi negociado com o Arsenal , clube no qual já conquistou seu espaço. Com sete gols em jogos, ele vem empolgando os torcedores ingleses.

APOSTAS
Outro nome de um time do interior paulista que se destacou na Copa São Paulo foi o atacante Davó, do Guarani, que chegou às semifinais e perdeu por 5 a 2 para o São Paulo. Promovido ao profissional se firmou no Bugre durante a disputa da Série B e, agora, tem um acordo bem encaminhado para defender o Corinthians em 2020.

Alguns clubes grandes não perderam tempo e contrataram jogadores de equipes menores logo que tiveram a oportunidade. O Cruzeiro, por exemplo, tirou Zé Eduardo do Visão Celeste-RN, enquanto o Grêmio contratou Israel Júnior junto ao Tubarão-SC. Já o Vasco apostou em Matheus, do Volta Redonda, que disputou as quartas de final e foi eliminado pelo próprio Vasco.