Alô Kleina: quando haverá o mínimo de arrumação do time da Ponte?

Algumas críticas Kleina recebe por pura teimosia, e poderia perfeitamente evitá-las. Ele está devendo serviço à Macaca

por ARIOVALDO IZAC - - - Campinas

Gilson Kleina
Gilson Kleina
Durante entrevista coletiva pós-derrota da Ponte Preta para o Santo André por 3 a 2, na estreia da equipe no Paulistão 2020, em Campinas, o treinador Gilson Kleina anteviu que receberia críticas, falou em absorvê-las, e trabalhar para a sequência de jogos.

Algumas críticas Kleina recebe por pura teimosia, e poderia perfeitamente evitá-las.

Por que a preferência por Jefferson na lateral-direita?

Essa pergunta eu fiz diretamente ao treinador no programa esportivo desta quarta-feira, da Rádio Brasil.

Ele respondendo:

- Defensivamente você vai gostar do futebol dele.

Em entrevistas livres, com direto a réplica, não titubeio, e assegurei que Jefferson não convence.

Juro que até gostaria de estar errado, mas não estava. O jogador foi culpado direto pelo segundo e terceiro gol do Santo André, do treinador Paulo Roberto (foto).

Se no segundo tomou bola nas costas e perdeu a jogada para Douglas Baggio, com complemento de Branquinho, no terceiro ele se abaixou na tentativa de interceptar a bola de cabeça, após cruzamento da direita, e perdeu a disputa para Baggio, que concluiu com o pé.

Jefferson ofensivamente? Esqueça. Essa não é a característica dele.

TIME DESARRUMADO

Claro que seria estupidez creditar apenas a Jefferson a derrota para o Santo André.

O principal culpado é sim Gilson Kleina, que trabalha esse modificado time desde o início do ano, mas ainda aplica conceitos reprovados do ano passado.

Se durante todo primeiro tempo o time contou com dois atacantes fixos nas beiradas - casos de Bruno Rodrigues e Apodi -, que resultou no isolamento do centroavante Roger, a justificativa do polivalente Apodi mostra equívoco de planejamento do treinador.

“Como a previsão era de que o Santo André viesse fechado, nossa intenção foi abrir bem os espaço no ataque”, comentou Apodi.

Acontece que o Santo André soube fazer a dobra de marcação pelo lado esquerdo do ataque pontepretano, anulando Apodi, enquanto do outro lado o lateral Julinho não só anulou Bruno Rodrigues como atacou.

Apesar disso, o precipitado lateral-direito Ricardo Luz, do Ramalhão, cometeu pênalti desnecessário em Apodi, convertido por Roger.

MEIO DE CAMPO

A vantagem no placar em nada diminuiu a flagrante desarrumação do meio de campo da Ponte Preta durante o primeiro tempo.

Bruno Reis atuou como volante de contenção e raramente se distanciou de seus próprios zagueiros.

Camilo, como segundo volante, por vezes avançou desnecessariamente, sem tempo para a recomposição.

Acrescente que o meia João Paulo, apesar da disposição em voltar para cercar adversários, não tem características para desarme.

Logo, sem atacantes de beirada fecharem por dentro, o que se viu foi um buracão no meio de campo pontepretano, o que propiciou que o Santo André ganhasse rebotes e começasse a ter fluxo ofensivo.

Assim, quando Dudu Vieira foi lançado dentro da área, o zagueiro Cléber se deslocou para cobrir bola nas costas de Trevisan, chegou atrasado na jogada e cometeu pênalti, convertido por Ronaldo.

Portanto, mais um erro conceitual de Kleina ao escalar Cléber visivelmente fora de ritmo.

As três semanas de trabalho neste janeiro igualmente não serviram para que fosse freado o vício de zagueiros alongarem bola desnecessariamente, quando o prudente é trabalhá-la no chão.

JOÃO PAULO

Num campeonato de tiro curto, o que se esperava era uma Ponte Preta mais articulada, de forma que o meia João Paulo pudesse ser organizador da equipe e pisando seguidamente na área.

Que quando se faz a opção de jogar com dois atacantes de beirada, cobra-se que um deles flutue por dentro quando a jogada transcorre do lado oposto.

E que haja melhor combinação de jogadas dos homens de beirada, para facilitar espaço de penetração principalmente do lateral Guilherme Lazaroni.

Que enquanto o time não estiver devidamente arrumado, é prudente que se prescinda de um atacante de beirada, para a entrada de outro meio-campista mais centralizado.

Não se aplicando esses ajustes, a Ponte vai continuar alçando bola das tais jogadas ensaiadas, na expectativa de se obter êxito em uma delas, como ocorreu com a casquinha de cabeça de Trevisan, por ocasião do segundo gol pontepretano.

FERNANDO HENRIQUE

Foi o típico jogo em que a Ponte sequer pode reclamar de chances criadas e desperdiçadas, exceto no lance em que o atacante Matheus Ânderson exigiu defesa difícil do goleiro Fernando Henrique no final, até porque a cabeçada de Bruno Rodrigues foi plenamente defensável.

E esse troço chamado futebol é traiçoeiro. O Santo André criou três chances reais e teve aproveitamento de 100%. Por isso saiu comemorando de Campinas.

ARIOVALDO IZAC - -
Jornalista esportivo há 35 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.
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